Extrema-imprensa entrevista curados do COVID-19

Extrema-imprensa publica matéria em tom de lacração para falar de curas do Coronavírus. Segundo a matéria, o coronavírus pode provocar dificuldade para respirar, tosse e febre. No fim das contas, não passa mesmo de uma “gripezinha”, como eles mesmos ironizam.

O casal Antonio Carlos Minuzzi Filho e Xuxa Pires, em isolamento com a filha.

Principais sintomas da doença

Falta de ar, cansaço, fraqueza, febre, tosse, dores de cabeça e no corpo são sintomas que aparecem com mais frequência nos relatos de quem foi diagnosticado com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, e se curou.

Além dos desconfortos físicos, estes sobreviventes ainda precisam lidar com o sofrimento causado pelo isolamento, pela ansiedade diante de uma nova doença e pelo medo de contaminar família, amigos e pessoas de grupos de risco, como idosos.

Os depoimentos de cada entrevistado

Renata Berenguer, 30 anos

De Recife (PE), a advogada disse que acordou com dores na cabeça e no corpo no começo de março, quando ainda não havia confirmações da doença no estado. Achou que era uma virose, comum no pós-carnaval. Ela lembra:

“A ficha só começou a cair quando voltava para a capital pernambucana após uma viagem a trabalho em Blumenau (SC). Quando pego o avião São Paulo/Recife, tento dormir e sinto uma sensação estranha. Puxava o ar e não vinha. Já tinha algumas pessoas de máscara, mas não imaginava. Eu nem sonhava em coronavírus, mas senti algo estranho.”

A advogada defende que seu caso é a prova de que a doença existe e pode acometer pessoas de todas as idades. Ela ainda reforça que a recomendação de isolamento social deve ser seguida à risca. Ela diz ainda:

“O que precisa ser feito é o isolamento. É esse gesto de amor. Vim diretamente para minha casa, seguindo um protocolo de isolamento absoluto que em nenhum momento hesitei descumprir.”

Daniela Teixeira, 48 anos

De Brasília (DF), a advogada é outra sobrevivente da Covid-19. Seus sintomas, ela diz, “foram leves” e duraram quase uma semana. Daniela lembra que “era algo muito parecido com uma gripe, dor no corpo, dor de cabeça, mal-estar generalizado”, mas sentia medo e preocupação.

Ela afirmou: “O chão se abre, e o desespero toma conta da gente. O mundo está parado por conta do coronavírus, e você recebe quase uma sentença de morte”.

Após o resultado positivo para a doença, ela conta que um dos desafios foi a convivência dentro da própria casa. O marido e os dois filhos, que moram com ela, não estavam doentes, mas também tiveram que ficar em quarentena. 

“Quem estava dentro de casa comigo tinha que permanecer comigo. Meus filhos não podiam sair, porque poderiam levar o vírus para fora de casa. Ficamos os quatro confinados.”

Vitor Pereira, 30 anos

Médico e atleta, ele é outro que adoeceu e se recuperou. O ortopedista precisou ficar internado, por cinco dias, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital na capital paulista.

“Comecei a ter febre, de leve a moderada, e que ia piorando, mesmo com medicação. Eu comecei a sentir outros sintomas, como a falta de ar, e procurei ajuda médica. […] A falta de ar começou leve, notei quando fui subir uma rampa e cansei e isso foi aumentando conforme os dias. Até para tomar banho eu sentia um pouco de cansaço”, lembrou ele, que também ressalta ter sentido muitas dores no corpo.

Nayana Oliveira, idade não informada

A psicóloga e escritora foi uma das primeiras pessoas em Goiás a ter o diagnóstico de Covid-19, e enfrentou o período de isolamento e escreveu uma carta para contar um pouco de como lidou com a situação. Ela escreveu:

“Interessante pensar que o Coronavírus (COVID-19 ), um vírus que ocasionou um surto de doença respiratória, desacelerou o mundo e trouxe de volta para casa a família. Não só isso, mas que exige o isolamento como tratamento proporcionando ao indivíduo a oportunidade de ficar próximo de si mesmo”.

Austelino Ferreira Mattos, 56 anos

O médico teve confirmado o diagnóstico da Covid-19 e chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Mogi das Cruzes por quase uma semana, mas já está em casa, onde procura se recuperar depois de um grande susto. Ele contou:

“O sintoma que mais me incomodava mesmo era falta de ar. Eu me cansava muito. Aí você começa a perder o olfato, o paladar. Vai tomar água e a água está amarga. A dor no corpo é muito grande, e você se incomoda até de ficar deitado”.

O médico segue em recuperação da doença, embora diga se considerar praticamente curado, por não lidar mais com os principais sintomas da doença. Ele disse:

“Aqui em casa estou mais assistindo televisão, lendo meus livros. É fazer passar o tempo. Ainda me sinto um pouco cansado, mas é muito pouco. Se comparar com duas semanas atrás, está bem melhor. Não dá nem para reclamar”.

Marcelo Medeiros, 59 anos

Os presidentes da dupla Gre-Nal também superaram o coronavírus. O dirigente do Grêmio, Romildo Bolzan apresentou sintomas leves, mas o do Internacional, Marcelo Medeiros, teve um quadro mais forte. O presidente do Internacional disse:

“Foram 16 dias de isolamento completo, longe de todo mundo, agora voltei para o convívio da família. Tô muito feliz”.

Porém, ainda não se sabe se quem teve a doença pode pega-lá novamente. Os médicos recomendam que mesmo após o diagnostico, os hábitos de higiene prossigam.

Medeiros afirma que mesmo considerado curado, permanecerá em isolamento. “Fique em casa porque assim a gente vai superar essa crise de saúde que estamos vivendo.”

José Agostinelli, idade não informada

O empresário de Gravataí, conhece bem a alegria de voltar pra casa após o diagnóstico de Covid-19. Ele precisou ficar 12 dias internado. Ele aconselhou:

“Gostaria de deixar um recado para que todo mundo fique em casa, todo mundo obedeça a orientação da Vigilância Sanitária”.

Antonio Carlos Minuzzi Filho e Xuxa Pires, idades não informadas

O casal de Porto Alegre (RS), saíram do isolamento, mas se mantêm em quarentena. Minuzzi Filho relata:

“Eu fico muito tempo brincando com a minha filha. Uma coisa que eu não fazia há anos é tocar violão, ela canta. Estou tentando desfrutar esse momento familiar, almoçar juntos”.

Ele foi infectado em Porto Alegre e após testar positivo, a esposa Xuxa também apresentou os sintomas. Ela que é produtora de eventos ressalta:

“Eu poderia dizer que é um tsunami. O coronavírus entra no teu corpo, te derruba geral. Ele tira toda a tua energia.Tu não consegue fazer nenhuma atividade, tu fica acamada”. 

O médico conta que foi melhorando um pouco a cada dia: “Fui começando a ter um pouco mais de disposição e o quadro de me sentir realmente mais disposto. De viver uma vida quase normal, eu fui ter com 15 dias.”

Paulo Alberto Ferri, 34 anos e Francisco Freire, 24 anos

Dois amigos de Linhares, no Norte do Espírito Santo, que foram diagnosticados com Covid-19, usaram as redes sociais para anunciar a cura da doença. O resultado, que saiu na segunda-feira (30), foi postado para os seguidores do psicólogo Paulo Alberto Ferri. Já o biólogo Francisco Freire adicionou o termo “ex-Covid-19” à descrição no perfil. Ao todo, o Espírito Santo tem 120 casos confirmados, sendo que 13 são pacientes já curados. O biólogo disse:

“Quero estar junto com a minha família. Abraçar é o que eu sinto mais falta e a gente dá mais valor ao abraço. Somos acostumados a estar perto e desde que eu descobri o coronavírus fiz o meu último contato e já fiquei afastado”.

A suspeita é de que tenham contraído o vírus durante uma viagem ao Rio de Janeiro, no final de semana do dia 13 de março. De volta do Espírito Santo, os dois já apresentaram sintomas da doença e foram testados positivos para o novo coronavírus.

Paulo, que desenvolveu sintomas um pouco mais fortes da doença, como tosse seca e dor no tórax, diz que o objetivo dele é ser solidário às pessoas durante o período de quarentena.

“Quero retribuir o carinho que recebi e ser solidário com a população, como fazer compras para quem precisa. Agora, o que mais desejo é voltar à minha vida normal e retomar o atendimento dos meus pacientes”.

Vera Lúcia Ferreira, 44 anos

De Rio Verde, no sudoeste de Goiás, a recepcionista diz que enfrentou 14 dias de isolamento – longe até da família – após o diagnóstico. Agora, ela comemora a própria recuperação. “Com apoio de todo mundo, com carinho, venci”, ela afirmou à reportagem.

Apesar de relatar os mesmo sintomas de uma gripe comum, a sobrevivente alerta para o perigo de subestimar o novo coronavírus. Ela afirmou

“Eu comecei sentindo uma tosse seca, dor de cabeça, dor no corpo. Depois veio a febre. Foi quando eu resolvi entrar em contato com o pessoal da vigilância e pedi orientação. […] Não é só uma gripezinha boba. Tem que se cuidar mesmo”.

Vera diz que não teve medo de morrer, mas que temia pelos seus parentes, com quem convivia diariamente. Ela ainda afirmou: “Minha cabeça ficou um turbilhão de coisas no momento. Pensava no meu pai, que mora comigo e é de idade. Nos meus filhos, no meu esposo. Mas já passou. Agora estou curada”.

Após duas semanas em isolamento, Vera recebeu alta na segunda-feira (23). Seu maior alívio, diz, foi poder voltar a conviver no mesmo ambiente em que a família. “Estou muito feliz, minha família está feliz. Foi muito assustador para todo mundo da família, mas tive apoio e estou aqui”.

O contexto da reportagem e a nota da editoria

Ao longo da reportagem e das declarações prestadas por estes e os demais entrevistados que não aparecem aqui (mas que estão na reportagem, leia ela aqui) fica mais do que evidente a intenção dos repórteres: a de criar uma narrativa para a recomendação básica da OMS em relação à pandemia – quarentena obrigatória e isolamento social

Não se viu ao longo de toda a matéria, nenhum argumento científico, nenhuma prova cabal de que a quarentena dá resultados: em todos os casos, os infectados receberam atendimento hospitalar. E em todos os casos, os sintomas apresentados foram os mesmos, com evidentes diferenciações mínimas de gravidade, de caso a caso; mas em todos eles fica bem claro de que a doença, para cada um dos entrevistados, não passou de uma gripe mais forte.

Um outro fato que ficou patente (exceto no último caso apresentado aqui, o de uma funcionária recepcionista de uma empresa), a maioria das pessoas entrevistadas, possui nível acadêmico superior completo, vida estável e perfil de classe média alta. Todas as pessoas infectadas viajaram e/ou tiveram contato com pessoas de fora do país, ou estiveram fora do país no período. Não se tratam de cidadãos comuns, a maioria do povão, o que deixa o objetivo da entrevista obscuramente mais claro.

Paradoxal, o último comentário? Talvez, mas se observarmos a questão com um olhar mais clínico e apurado veremos que ele faz muito sentido.

A própria recepcionista que aparece por último, mesmo não sendo o perfil de uma cidadã de classe média alta, apresenta a aparência de quem trabalha para uma empresa de porte. E sendo recepcionista, lida com pessoas o tempo todo. Pessoas que podem ter trazido esse vírus, de forma latente e sendo assintomáticas, podem ter contaminado a ela. Ainda sim, fica evidente que usaram o comentário dela (o de não ser uma “gripezinha”) como forma de atacarem veladamente ao comentário do Presidente Jair Bolsonaro de que o Covid-19 não passava de uma “gripezinha boba“. Usar o depoimento de uma cidadã do povo, de uma classe social inferior a da maioria dos infectados, é a forma de tentarem desqualificar o PR em suas palavras e de quebrarem a sua base de apoio entre os cidadãos mais humildes do país.

Em um momento em que, graças a essa pandemia, o mundo inteiro se encontra em uma enorme crise econômica, enviesada pela própria pandemia, fazer uso desse tipo de subterfúgio emocional é no mínimo de uma grosseria grotesca e de uma ingenuidade quase pueril de que a população vai comprar e assimilar essa narrativa. O nosso povo não está nem um pouco desatento quanto a isso, extrema-imprensa. Fiquem bem certos disso.

Roberto Carlos Teixeira
Autor: Roberto Carlos Teixeira

Escritor, autor, pesquisador, autodidata. Autor de vários sites de pesquisa, webmaster, profissional multifuncional da área tecnológica, um investigador da política e da gestão pública! Conservador, monarquista e genealogista por hobby. Um apaixonado por História Antiga e Origens dos Povos.

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