Trapalhadas em investigação de casos pelo MS confunde a data da 1ª morte por coronavírus no Brasil

(Foto: Sebastien Bozon / AFP)

primeira morte causada por coronavírus no Brasil ocorreu em 25 de março, mais de um mês antes daquele que foi confirmado como o primeiro caso. De acordo com o Ministério da Saúde, a descoberta é resultado de uma “investigação retrospectiva” dos pacientes internados com quadros de síndrome respiratória aguda grave.

A paciente que agora é considerada a primeira a ter Covid-19 no país tratava-se de uma mulher de 75 anos, que era moradora de Minas Gerais.

Até então, o primeiro caso caso positivo de coronavírus tinha sido anunciado em 26 de fevereiro: um homem que mora em São Paulo, tem 61 anos, e que esteve na Itália. Quando o caso foi confirmado à época, já havia outros 20 casos em investigação e 59 suspeitas descartadas.

Ao contrário da mulher de Minas Gerais, o empresário de São Paulo não chegou a ser internado e conseguiu se curar da doença.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse nesta quinta-feira (2):

Lembrem-se que estamos fazendo a investigação de casos internados. Muitos desses casos estão com material colhido, e nós tivemos, a partir de investigação retrospectiva, a identificação do primeiro caso confirmado. Ele é da semana epidemiológica 4, de 23 de janeiro”.

Primeiro caso de coronavírus identificado no Brasil é do fim de janeiro, diz secretário

Um dia depois de anunciar que a primeira morte causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil havia ocorrido em 23 de janeiro, o Ministério da Saúde corrigiu a informação nesta sexta-feira (3) e disse que o registro do caso foi feito, na verdade, no final de março. A paciente morreu nesta quarta-feira (1º).

A pasta disse em nota:

O Ministério da Saúde foi comunicado pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) nesta sexta-feira (3) sobre a conclusão de investigação do possível primeiro caso de Covid-19 no Brasil. A informação de início dos sintomas foi alterada de 23/1/2020 para 25/3/2020. Os dados no sistema de notificação estão sendo atualizados.

De acordo com Renato Strauss, chefe da assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, os primeiros sintomas foram registrados em 25 de março e a paciente morreu sete dias mais tarde.

Nesta quinta-feira (2), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que uma mulher de 76 anos, residente de Belo Horizonte, havia morrido na véspera. Ela apresentou os primeiros sintomas em 23 de março.

Questionado sobre quem teria cometido este erro, o Ministério da Saúde disse:

Informamos que o erro foi por parte da SES-MG, que é responsável por cadastrar as notificações no sistema.

A Secretaria de Estado da Saúde, por sua vez, afirmou que “houve um erro no cadastro da paciente”, sem especificar de quem partiu o equívoco.

A secretaria disse em comunicado.

Importante destacar que normalmente quem realiza a notificação dos dados são os municípios ou os prestadores (hospitais) e essa notificação é cadastrada em uma plataforma nacional.

O comunicado continua:

Ela (a paciente) apresentou início de sintomas em 25 de março e não 23 de janeiro de 2020, conforme foi divulgado na quinta-feira, dia 02/04, pelo Ministério da Saúde.

Por fim, vale ressaltar que a senhora em questão, trata-se da paciente 4, que consta no Informe Epidemiológico: sexo feminino, 76 anos, residente do município de Belo Horizonte. Início de sintomas gripais em 23/03/20. Portadora de doença cardiovascular e diabetes. Resultado detectável para COVID-19 em 31/03/2020 emitido por laboratório privado. Óbito em 01/04/20.

O secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, também fez um vídeo em que disse que a SES-MG verifica o que é informado pelos municípios e que “com frequência temos tido um acerto e uma qualidade muito grande da informação”.

Amaral disse:

Estamos fazendo um trabalho muito sério, embora muito corrido e assoberbado, devido à epidemia.

Investigação retrospectiva

Na quinta-feira (2), o Ministério da Saúde informou que a primeira morte causada por coronavírus no Brasil ocorreu em 23 de janeiro – mais de um mês antes da confirmação do primeiro registro.

De acordo com o Ministério da Saúde, a descoberta era resultado de uma “investigação retrospectiva” dos pacientes internados com quadros de síndrome respiratória aguda grave.

Até então, o primeiro caso caso positivo de coronavírus tinha sido anunciado em 26 de fevereiro: um homem que mora em São Paulo, tem 61 anos, e que esteve na Itália.

À época, quando o caso foi confirmado, já havia outros 20 em investigação e 59 suspeitas descartadas. Ao contrário da mulher de Minas Gerais, o empresário de São Paulo não chegou a ser internado e se curou da doença.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse nesta quinta:

Lembrem-se que estamos fazendo a investigação de casos internados. Muitos desses casos estão com material colhido, e nós tivemos, a partir de investigação retrospectiva, a identificação do primeiro caso confirmado. Ele é da semana epidemiológica 4, de 23 de janeiro.

Divergência de dados

O primeiro óbito confirmado em Minas Gerais ocorreu em 29 de março, conforme antecipado naquele mesmo dia e tornado público pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) em 30 de março.

No boletim epidemiológico divulgado pela SES-MG no início da tarde desta sexta, são confirmadas seis mortes pela Covid-19 em Minas Gerais. No entanto, o balanço não inclui nenhuma nenhum paciente morto em 23 de janeiro ou em 25 de março.

A paciente que morreu nesta quarta não tem 75 anos – idade informada pelo Ministério da Saúde – mas 76 anos, segundo os dados da SES-MG.

Ainda na noite desta quinta, a SES-MG disse desconhecer a morte registrada em 23 de janeiro e reiterou que o primeiro caso de coronavírus confirmado em Minas Gerais data de 8 de março – o paciente é de Divinópolis.

Já o primeiro caso suspeito de coronavírus, segundo a SES, foi registrado o de 28 de janeiro. A nota diz:

Era uma mulher de 22 anos, com histórico de intercâmbio estudantil para Wuhan e retorno ao Brasil em 24/01/2020. Este caso foi descartado dias depois.

Na manhã desta sexta, a SES-MG afirmou que aguardava mais informações do governo federal para identificar o caso e “adotar as medidas pertinentes”.

A secretaria informou que, segundo dados disponíveis no Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEP-Gripe), no mês de janeiro de 2020 foram registradas 163 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais. Destas, 71 notificações foram de SRAG em pacientes com mais de 70 anos de idade.

Segundo erro

Durante a coletiva de imprensa com o secretário da Saúde na tarde desta quinta, a SES-MG corrigiu o número de mortos que havia listado mais cedo em seu boletim epidemiológico. Na manhã de quinta, a pasta havia falado que seis mortes tinham sido confirmadas em Minas. À tarde, o governo listou quatro mortes no estado.

As outras duas mortes entraram na lista de “óbitos em investigação”, que aguardam a realização de exames laboratoriais e levantamento de informações clínicas e epidemiológicas.

Segundo a SES-MG:

“…o erro se deu em razão de estes 3 pacientes terem exames positivos para outras doenças no sistema de informação de exames laboratoriais da FUNED, o que não foi percebido no momento da captação dos dados”.

A morte que tinha sido informada no município de São Gonçalo do Rio Preto foi descartada. Já as mortes informadas nos municípios de Contagem e Juiz de Fora entraram na lista de “em investigação”. Uma quarta morte, da idosa de 76 anos, foi registrada, nesta quinta, em Belo Horizonte.

Outra data para o zika

O secretário afirmou que uma mudança na data que marcou a confirmação do primeiro caso também ocorreu com o vírus da zika.

Wanderson disse:

Isso foi feito também no zika vírus. Inicialmente achávamos que os primeiros casos eram de abril de 2015 e, um ano depois, com investigação retrospectiva, verificamos que tinha caso de zika vírus identificado em banco de sangue na região amazônica desde abril de 2014.

Fonte: G1

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